Retrospectiva – Oficinas – Intervenções – Fela Day.FIAR

Do Blog de RICARDO BRAZILEIRO :

samba chip – experimentações espontâneas

Posted by rbrazileiro on 29 de outubro de 2010 – 19:19

mais uma vez, como foi importante ir em Cachoeira-BA e criar esses momentos de experimentações livres com pessoas totalmente abertas para novos diálogos e vivências.

a sonoridade em questão não era o ponto fundamental, mas a situação de lapidar um som feito por aparatos simples e de processo manual, sem intermediação no processo de criação e de composição.

a música é livre, o ato de criar também.

é muito importante sentir que em grupos como a Filarmônica Lira Ceciliana, o ato de experimentar e intervir em novas descobertas poéticas é um processo tão natural quanto ler uma nova partitura e se viciar no som do seu instrumento favorito. as crianças descobrem que aquela protoboard é uma pauta, que cada chip pode simbolizar um instrumento ou um ritmo, que o ato de pesquisar e prototipar um fluxo de energia é o ato de compor.

a contemporaneidade dessas coisas todas é esse desprendimento do fazer sem se preocupar em ocupar um sítio-estético para classificar tal experimentação. a arte, a música, a tecnologia (viva, livre, faça-você-mesmo) trazem motivações de buscar essas possibilidades de criar poéticas em ambientes duros e sem expressividades mas com vontade de se amolecer e se entregar, como esse samba chip.

linguagens e poéticas sonoras contemporâneas,

fiar – festival de intervenção artística do recôncavo

cachoeira – bahia

Intervenções.FIAR Primeira etapa do Festival, brota a autoria coletiva

O limite da arte contemporânea, as partes tradicionalmente envolvidas, o público, a cena, a cena sônica, o espaço. Diálogos e ações questionaram tudo isso durante a primeira etapa do FIAR. A integração das artes e a amizade entre os participantes foram os principais movimentos, dias de reflexão, prática e construção colaborativa.

Durante a primeira etapa do FIAR foram apresentados trabalhos dos artistas: Tininha Llanos (BA), PeaceTU (BA) e dos grupos Poro (MG) e GIA (BA). Os primeiros a chegar foram Tininha e PeaceTU, que logo começaram a reconhecer espaços para a criação de sua arte. O desafio proposto pelo Festival era a construção integrada ao espaço e à outras pessoas também, propondo a interferência em espaços públicos da cidade de Cachoeira, BA, com obras-performances que contassem com o máximo de pessoas envolvidas, em todas as fases.

PeaceTU Cachoeira

E foi assim que se deu o desenvolvimento das peças. PeaceTU apresentou uma escultura-graffiti, GaloTU, ou galinho como foi carinhosamente chamado por todos. As fases de pintura e marcenaria envolveram muitas pessoas, e isso foi algo que encantou a todxs que acompanharam. Na medida em que o GaloTU surgiu cresceu também o espírito da criação artística coletiva. A pintura foi em praça pública, com a proposta de intervir no cotidiano local, relacionando a escultura ao espírito heróico da cidade e daquele espaço, a rua 25 de Junho, data magna para o povo de Cachoeira.

galotu

caixa xo Gia

O grupo Gia, com irreverência e bom humor apresentou seu mais novo trabalho, a Caixa Xô. Um artefato paramentado para produzir um verdadeiro show multimídia, e o conteúdo do espetáculo é o SambaGIA e a aprentação visual de outros trabalhos do grupo. Para completar, foi o Caramujo do GIA que abrigou a todxs os que apreciavam a caixa, questionamento do grupo sobre habitação e arquitetura, necessidade e expressão artística da humanidade.

Artistas do FIAR

No próximo post os trabalhos de Tininha Llanos e Grupo Poro.

Primeiros movimentos.FIAR

No primeiro dia do FIAR o movimento ‘reconhecer’ foi o que prevaleceu. Artistas e equipe do festival entre si e com a cidade de Cachoeira e seus personagens em pleno feriado de Nossa Senhora do Rosário. O turbilhão de idéias aflora na medida em que percorremos as ruas da cidade…seus casarões, o heroísmo histórico estampado na arquitetura e na face dos moradores da cidade.

O orgulho de ser Cachoeirano/a é algo que impressiona, uma vez nessa cidade. A auto estima da população está muito relacionada com eventos históricos que por aqui aconteceram, como por exemplo o episódio do 25 de junho que dá muito orgulho aos cachoeiranos pois representou um grito de independência do Brasil muito antes do grito do Ipiranga.

A cidade já começa a transformar os artistas que começam a chegar ao festival, com sua história e com todas as suas idiosincrasias. O artista baiano PeaceTU é um dos primeiros artistas a chegar a cidade, e hoje começa a desenvolver seu projeto de intervenção, a escultura GaloTU resgatando o espírito heróico com uma intervenção que promete dialogar com a cidade a partir da técnica de escultura (muito presente na produção artística de Cachoeira), e do graffiti, integrados numa peça móvel que circulará nas ruas da cidade. Lá vem GaloTU…