FIAR 3 – Entrevista – Tininha Llanos

Tininha Llanos

“O festival é uma tapeçaria de linhas artísticas e processos associativos”

Mais do que uma série de oficinas e intervenções, o FIAR 3 é o Encontro de Redes de Artes Visuais no Recôncavo Baiano. Quem fala sobre esta edição é a curadora Tininha Llanos, que também integra o GIA (BA), um dos coletivos participantes.

FIAR – Como é que funciona o festival?

Tininha – O FIAR surge da proposição de residência artística entre indivíduos que atuam culturalmente em redes, em processos coletivos e
associativos, e o cenário é Cachoeira e São Félix no Recôncavo Baiano, cidades históricas tombadas pelo IPHAN e que possuem diversificados espaços voltados às artes visuais. Um deles é o centro Cultural Dannemann, onde vão ocorrer os bate-papos. Tem outros, como a UFRB – Universidade pública com cursos de artes visuais e cinema, o pouso da palavra – galeria e café –, além de espaços independentes e ateliês de artistas. Também está para abrir o cine Gloria. E o espaço público do Recôncavo é de uma beleza exuberante, riquíssimo em cultura e história, porém há muitas contradições sociais que certamente serão apontadas durante os diálogos e as proposições.

FIAR – Qual o tema do FIAR 3?

Tininha – Este ano tem um mote central: Encontro de redes das artes visuais no Recôncavo. Considerando essa proposta, foram convidadas algumas pessoas que participam ou já participaram de processos associativos e propositivos nas artes visuais, valorizando uma diversidade de origens e linguagens, no âmbito da América latina. O festival é como uma tapeçaria, prescinde de aglutinação, de linhas
variadas e mercerizadas de acordo com sua especificidade, da soma de indivíduos provenientes de diferentes regiões que formam uma rede diversificada na qual uma grande ambiência de residência artística convive por alguns dias em um cenário cinematográfico. Essa rede se torna o FIAR.

FIAR – Os artistas passam por uma seleção? Já foi feita a escolha?

Tininha – Somente na primeira edição realizou-se seleção. Na segunda e agora, nesta edição, houve um processo de convite e curadoria, realizado, ano passado, por José Balbino, e este ano por mim. Há uma curadoria para os trabalhos de intervenção urbana. Para as mesas e oficinas, fizemos convites para redes e artistas participarem. Este é inclusive um ponto alto do festival.