Retrospectiva – Oficinas – Intervenções – Fela Day.FIAR

Do Blog de RICARDO BRAZILEIRO :

samba chip – experimentações espontâneas

Posted by rbrazileiro on 29 de outubro de 2010 – 19:19

mais uma vez, como foi importante ir em Cachoeira-BA e criar esses momentos de experimentações livres com pessoas totalmente abertas para novos diálogos e vivências.

a sonoridade em questão não era o ponto fundamental, mas a situação de lapidar um som feito por aparatos simples e de processo manual, sem intermediação no processo de criação e de composição.

a música é livre, o ato de criar também.

é muito importante sentir que em grupos como a Filarmônica Lira Ceciliana, o ato de experimentar e intervir em novas descobertas poéticas é um processo tão natural quanto ler uma nova partitura e se viciar no som do seu instrumento favorito. as crianças descobrem que aquela protoboard é uma pauta, que cada chip pode simbolizar um instrumento ou um ritmo, que o ato de pesquisar e prototipar um fluxo de energia é o ato de compor.

a contemporaneidade dessas coisas todas é esse desprendimento do fazer sem se preocupar em ocupar um sítio-estético para classificar tal experimentação. a arte, a música, a tecnologia (viva, livre, faça-você-mesmo) trazem motivações de buscar essas possibilidades de criar poéticas em ambientes duros e sem expressividades mas com vontade de se amolecer e se entregar, como esse samba chip.

linguagens e poéticas sonoras contemporâneas,

fiar – festival de intervenção artística do recôncavo

cachoeira – bahia

CACHOEIRA terá um FELADAY ! Com Jarbas Jácome.

 

 

No próximo dia 15 de outubro Cachoeira receberá o artista Jarbas Jácome – PE de uma forma diferente. O FIAR irá comemorar a data de nascimento de FELA ANIPULAKO KUTI. Artista nigeriano morto em 1997, FELA KUTI revolucionou em seu país,  produzindo um novo estilo de música

Já se vão 13 anos sem FELA!

 


FELADAY BRASIL 2010

FELADAY RECIFE 2009

FELADAY BRASIL 2010

Mix tape – rádio escuta

Sobre o Feladay Brasil : Nelson Maca –  blackitude@gmail.com

Intervenções.FIAR Primeira etapa do Festival, brota a autoria coletiva

O limite da arte contemporânea, as partes tradicionalmente envolvidas, o público, a cena, a cena sônica, o espaço. Diálogos e ações questionaram tudo isso durante a primeira etapa do FIAR. A integração das artes e a amizade entre os participantes foram os principais movimentos, dias de reflexão, prática e construção colaborativa.

Durante a primeira etapa do FIAR foram apresentados trabalhos dos artistas: Tininha Llanos (BA), PeaceTU (BA) e dos grupos Poro (MG) e GIA (BA). Os primeiros a chegar foram Tininha e PeaceTU, que logo começaram a reconhecer espaços para a criação de sua arte. O desafio proposto pelo Festival era a construção integrada ao espaço e à outras pessoas também, propondo a interferência em espaços públicos da cidade de Cachoeira, BA, com obras-performances que contassem com o máximo de pessoas envolvidas, em todas as fases.

PeaceTU Cachoeira

E foi assim que se deu o desenvolvimento das peças. PeaceTU apresentou uma escultura-graffiti, GaloTU, ou galinho como foi carinhosamente chamado por todos. As fases de pintura e marcenaria envolveram muitas pessoas, e isso foi algo que encantou a todxs que acompanharam. Na medida em que o GaloTU surgiu cresceu também o espírito da criação artística coletiva. A pintura foi em praça pública, com a proposta de intervir no cotidiano local, relacionando a escultura ao espírito heróico da cidade e daquele espaço, a rua 25 de Junho, data magna para o povo de Cachoeira.

galotu

caixa xo Gia

O grupo Gia, com irreverência e bom humor apresentou seu mais novo trabalho, a Caixa Xô. Um artefato paramentado para produzir um verdadeiro show multimídia, e o conteúdo do espetáculo é o SambaGIA e a aprentação visual de outros trabalhos do grupo. Para completar, foi o Caramujo do GIA que abrigou a todxs os que apreciavam a caixa, questionamento do grupo sobre habitação e arquitetura, necessidade e expressão artística da humanidade.

Artistas do FIAR

No próximo post os trabalhos de Tininha Llanos e Grupo Poro.

Primeiros movimentos.FIAR

No primeiro dia do FIAR o movimento ‘reconhecer’ foi o que prevaleceu. Artistas e equipe do festival entre si e com a cidade de Cachoeira e seus personagens em pleno feriado de Nossa Senhora do Rosário. O turbilhão de idéias aflora na medida em que percorremos as ruas da cidade…seus casarões, o heroísmo histórico estampado na arquitetura e na face dos moradores da cidade.

O orgulho de ser Cachoeirano/a é algo que impressiona, uma vez nessa cidade. A auto estima da população está muito relacionada com eventos históricos que por aqui aconteceram, como por exemplo o episódio do 25 de junho que dá muito orgulho aos cachoeiranos pois representou um grito de independência do Brasil muito antes do grito do Ipiranga.

A cidade já começa a transformar os artistas que começam a chegar ao festival, com sua história e com todas as suas idiosincrasias. O artista baiano PeaceTU é um dos primeiros artistas a chegar a cidade, e hoje começa a desenvolver seu projeto de intervenção, a escultura GaloTU resgatando o espírito heróico com uma intervenção que promete dialogar com a cidade a partir da técnica de escultura (muito presente na produção artística de Cachoeira), e do graffiti, integrados numa peça móvel que circulará nas ruas da cidade. Lá vem GaloTU…

Workshops.FIAR – Cristiano Rosa (Panetone)

Panetone é um projeto audiovisual de Cristiano Rosa. Através de dispositivos eletrônicos, construídos ou modificados ele explora o campo audiovisual extremo, os panorâmicos: esquerdo e direito a as frequências: baixas e altas. em sua investigação desenvolve aparatos novos para cada nova apresentação, operando com o risco e explorando erros, falhas e inoperâncias. Adepto do movimento faça-você-mesmo Panetone constrói dispositivos mesmo com um mínimo de teoria. Sua oficina é uma das mais participativas e intuitivas no campo da arte eletrônica e desconstrói a barreira entre quem é iniciado e quem não teve nenhuma experiência com eletrônica, bending, e música. Muito legal é também o resultado do processo, que geralmente acaba num concerto-bending! Conheça mais um pouco do artista através dessa pequena entrevista cedida ao site do festival.

panetone

FIAR: Como começou o seu contato com técnicas de Circuit Bending?

P&T: em 2005 assisti alguns vídeos sobre o assunto, fiquei bastante interessado quando descobri que já fazia circuit bending há muito tempo.

FIAR: O circuit bending traz em si a “estética do desmantelamento”. Como vc vê a questão da originalidade perseguida por muitos artistas a partir disso?

P&T: Acredito que quando partimos de dentro dos dispositivos eletrônicos para fora, criamos uma novo conceito de como relacionar os objetos, os materiais e como usar tudo isso de forma criativa e realmente original.

FIAR: Sabemos que o Brasil é um dos países mais musicais do mundo, e o nordeste uma região altamente influenciada pelos ritmos e melodias afro-indigenas. Como vc enxerga a introdução do bending nesse tipo de contexto?

P&T: Acho que essa diversidade torna as pessoas muito abertas a integração do circuit bending, usando de poucos recursos podemos criar instrumentos ritmicos que integram perfeitmente com as culturas locais.

FIAR: Na década de 70 Walter Smetak, a partir seus estudos sobre microtonia, criou instrumentos que podiam ser tocados por várias pessoas ao mesmo tempo. Como o bending se relaciona com a produção de arte coletiva?

P&T: O bending já nasceu colaborativo, basta dar uma olhada pela internet que encontramos uma extensa variedade de tutoriais, muitos deles feitos para pessoas sem conhecimento nenhum, depois você pode ainda publicar seu projeto para que outras pessoas possam ter acesso a ele.

FIAR: Hoje sabemos que já existem pesquisas de aplicação de técnicas de circuit bending em vídeo. Vc já brinca com algo nesse sentido?

P&T: Tenho pesquisado a criação de alguns instrumentos audio visuais, como: câmeras de segurança modificadas, misturadores de vídeo, distribuidores de sinal e osciladores de uhf, entre outros.

FIAR: O que significa participar de um festival como o FIAR pra vc?

P&T: Acho muito importante esse contato com novas pessoas, tenho sempre o interesse em criar grupos de estudos onde a criação e intercâmbio de projetos possam acontecer. Em geral as oficinas que ministro apenas tem um início, um primeiro contato, depois os participantes podem encontrar os caminhos para desenvolver suas criações.

A oficina de técnicas de Circuit Bending, com Cristiano Rosa, acontece nos dias 13 e 14 de Outubro das 14 às 18hs na sede da Filarmônica Lira Ceciliana, em Cachoeira, BA. Inscrições aqui no site até o dia 01-10 (sexta-feira).